quinta-feira, 30 de junho de 2011

Bocage (poema)

O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão,


Com o porco engraçou, não sei por que razão.

Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna

(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):

Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,

Poder de despachar os brutos pretendentes,

De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,

E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;

Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,

E a sua ocupação dormir, comer, fossar.

Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,

Soltavam contra ele injúria sobre injúria

Os outros animais, dizendo-lhe com ira:

«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»

E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,

Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!

Dos filhos para o génio olhai com madureza;

Não há poder algum que mude a natureza:

Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos

O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.



Bocage, in 'Fábulas'

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Fim do Pesadelo

Volto a este título, porque me parece que o último post com este título causou algum mal entendido junto de algumas pessoas que faziam parte da ex-direcção do Agrupamento de Escolas S. Vicente-Telheiras. A interpretação que deram ao texto não corresponde minimamente àquilo que pretendi dizer.Aliás seria de todo injusto pelo trabalho realizado por estas pessoas. Neste texto vou tentar esclarecer alguns destes mal entendidos, porque pela consideração que algumas dessas pessoas me merecem, a última coisa que me passaria pela cabeça seria melindrá-las fosse de que maneira fosse. Quando me refiro à mudança de  ciclo e a todas as outras afirmações, estou apenas a referir-me ao ex-director, como eu achava que parecia óbvio. Não me moveu qualquer sentimento relativamente aos outros ex-membros da Direcção.Passando então a situações mais concretas. Sobre as mentiras, não vou entrar em pormenores, mas deixo aqui algumas perguntas.
1. Como é que o ex-director explicou a toda a comunidade educativa a inexistência de uma página electrónica do Agrupamento devidamente actualizada?
2.Quais foram as explicações dadas pelo ex-director sobre o deficiente relatório de auto-avaliação do Agrupamento?
3.Qual foi a explicação dada pelo ex-director para a alteração do procedimento do apoio da Acção Social Escolar para a aquisição de manuais escolares dos alunos?
etc., etc., etc.
As respostas dadas a estas perguntas penso ilustrarem bem algumas afirmações que faço.
Sobre o "faz que faz", toda a gente sabe quem trabalhava, e quem apenas mandava bitaites.
Outra situação que penso ter sido mal interpretada foi aquela em que me referi aos valores privilegiados pelo ex-director, ou seja : subserviência, medo e "yes man", aliás "yes women". Isto é uma referênia aos valores privilegiados pelo ex-director,  e não mais que isso. Aliás a sua demissão deve-se exactamente à não satisfação destes valores. O estado em que está o Agrupamento é uma avaliação que faço no uso da minha liberdade , e que parece ser comungado por mais gente.
E deixo mais uma pergunta:
-Quantas vezes o ex-director mudou de opinião ao ouvir quem pensasse diferente de si?
Em relação a outras situações concretas, abstenho-me de as expor aqui.

sábado, 21 de maio de 2011

A alma "gitana"

Isso é muito velho, Zé Novo.Os Salazaristas que procuras estão moribundos, tal como os capatazes!O ciclo agora é outro.Parece que andas a dormir na forma. Sobre a história das folhas, vamos esperar! Há as folhas que caem, as que nós arrancamos e as que pensamos fazer. Para isso é preciso matéria prima e alguma criatividade. Enquanto arrumo as minhas ideias, vou deixar este vídeo onde te podes deliciar com a cultura desta comunidade "gitana" que te trarão concerteza excelentes recordações.

sábado, 7 de maio de 2011

A nossa História


Um jovem diplomata português, em diálogo com um colega mais velho:


- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia,que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e c de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental? O embaixador sorriu:

 
- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.

- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?

- Nós descendemos dos que ficaram aqui...

Fernando Pessoa

Adiamento


Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim o porvir.                     Álvaro de Campos
 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade.




Duplo click na imagem para aumentar




quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sophia de Mello Breyner Andresen






Porque os outros se mascaram mas tu não






Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não.

FMI e os seus cães de fila



Mercados


A TRILOGIA FATAL: MERCADOS, AGÊNCIA DE NOTAÇÃO E FMI




segunda-feira, 25 de abril de 2011

FMI = VAMPIROS





A propósito da visita do FMI e da notícia do lucro de milhões de euros que teve o FMI em 2010, resultado da "ajuda" a vários países veio-me à memória esta música do Zeca que cantei em várias ocasiões, a última das quais neste concerto no coliseu, e que se adapta perfeitamente à situação que o país atravessa.

domingo, 24 de abril de 2011

Objectivo atingido




O capataz não existe! Não passou de uma figura de ficção, ou melhor "UMA BOLHA" que não aguentou as condições do meio ambiente e se desfez, com a mesma velocidade com que apareceu. Esperemos que os restos da "BOLHA" se afastem o mais possível, apenas por uma questão de saúde ambiental



A Bolha
Olha a bolha d'água
no galho!
Olha o orvalho!
Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!
Olha a bolha na mão
que trabalha!
Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino:
A bolha da chuva da calha ! Cecília Meireles

terça-feira, 5 de abril de 2011

Florbela Espanca


Não ser

Ah! arrancar às carnes laceradas

Seu mísero segredo de consciência!

Ah! poder ser apenas florescência

De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,

De ramos graves, plácidos, absortos

Na mágica tarefa de viver!


...


Quem nos deu asas para andar de rastos?

Quem nos deu olhos para ver os astros

- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os artistas

Eles bem esperaram para entrar em cena.Vejam como PP trepa para o pescoço de PC.

sábado, 2 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

David Mourão Ferreira


Nós temos cinco sentidos


Nós temos cinco sentidos:

são dois pares e meio de asas.


- Como quereis o equilíbrio?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Retrato - Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.



Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.



Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

A minha face?