
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
FMI = VAMPIROS

A propósito da visita do FMI e da notícia do lucro de milhões de euros que teve o FMI em 2010, resultado da "ajuda" a vários países veio-me à memória esta música do Zeca que cantei em várias ocasiões, a última das quais neste concerto no coliseu, e que se adapta perfeitamente à situação que o país atravessa.
domingo, 24 de abril de 2011
Objectivo atingido

O capataz não existe! Não passou de uma figura de ficção, ou melhor "UMA BOLHA" que não aguentou as condições do meio ambiente e se desfez, com a mesma velocidade com que apareceu. Esperemos que os restos da "BOLHA" se afastem o mais possível, apenas por uma questão de saúde ambiental
A Bolha
Olha a bolha d'água
no galho!
Olha o orvalho!
Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!
Olha a bolha na mão
que trabalha!
Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino:
A bolha da chuva da calha ! Cecília Meireles
terça-feira, 5 de abril de 2011
Florbela Espanca
Não ser
Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!
Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...
Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
David Mourão Ferreira
quinta-feira, 31 de março de 2011
Retrato - Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
segunda-feira, 28 de março de 2011
Estória
Estive a ler esta pequena estória, que com algumas,poucas adaptações, assenta que nem uma luva no capataz. Aqui vai então: A fábula do capataz Esta é a fábula de um capataz que, "stressado", foi um dia ao psiquiatra. Relatou ao médico o seu caso. O psiquiatra, experiente, logo diagnosticou: - O Sr. precisa de se afastar, por duas semanas, da sua actividade profissional. O conveniente é que vá para o interior, isole-se do dia-a-dia e procure algumas actividades que o relaxem. Então, o nosso capataz procurou seguir as orientações recebidas. Munido de vários livros, CDs e PORTÁTIL, mas sem o telemóvel, partiu para a quinta de um amigo. Passados os dois primeiros dias, o nosso capaz já havia lido dois livros e ouvido quase todos os CDs. Porém, continuava inquieto. Pensou, então, que alguma actividade física seria um bom antídoto para a ansiedade que ainda o dominava. Procurou um trabalhador da quinta e pediu-lhe trabalho para fazer. O trabalhador ficou pensativo e, vendo um monte de esterco que havia acabado de chegar, disse ao nosso capataz: - O Senhor pode ir espalhando aquele esterco em toda aquela área que será preparada para o cultivo. Pensou o trabalhador para consigo próprio: "Ele deverá demorar uma semana com esta tarefa". Puro engano! No dia seguinte já o nosso capataz tinha distribuído todo o esterco por toda a área. O trabalhador deu-lhe então a seguinte tarefa: abater 500 galinhas com uma faca. Tarefa que se revelou muito fácil para o capataz ansioso: em menos de 3 horas já estavam todos os galináceos prontos para serem depenados! Pediu logo nova tarefa. O trabalhador disse-lhe então: -Vamos iniciar a colheita de laranjas. O Senhor vá, por favor, ao laranjal e leve consigo três cestos para distribuir as laranjas por tamanhos: pequenas, médias e grandes. Passou o dia e o capataz não regressou com a tarefa cumprida. Preocupado, o trabalhador dirigiu-se ao laranjal. Viu o nosso capataz, com uma laranja na mão, os cestos totalmente vazios, e o capataz a falar sozinho: - Esta é grande? Não, é média. Ou será pequena??? - Esta é pequena? Não, é grande. Ou será média??? - Esta é média. Não, é pequena. Ou será grande??? Moral da história: Espalhar merda e cortar cabeças é fácil. O difícil é tomar decisões certas.
sexta-feira, 25 de março de 2011
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Para bom entendedor, meia palavra basta!!!!
terça-feira, 22 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Bertold Brecht
quarta-feira, 16 de março de 2011
Carlos Drumond de Andrade

"Por muito tempo achei que a ausência é falta"
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.





